Terça-feira, Novembro 11, 2008

Link de encerramento à Dipanda

Aproveito este dia, em que provavelmente pelas bandas de Angola se relaxa razoavelmente na contenção dos acontecimentos, para dar por encerrado este blogue.
Uma oferta à Dipanda. O mínimo que este angolano pode dar para tornar o dia de hoje substancial. 
Num pais em que muitos resistem aos imperativos do tempo e em que proliferam pactos demoníacos para a contracção do tempo, os acontecimentos são raros, e quando não, são decretados por instituições invisíveis que gerem o calendário dos acontecimentos nacional. 
Por isso, sendo este um daqueles dias raros no ciclo dos acontecimentos, acho necessário investimo-lo de coisas memoráveis. Sim, memoráveis. Porque eu vou-me lembrar: no trigésimo segundo aniversário da Dipanda, eu fechei o meu blogue. 
A Dipanda (dia da independência de Angola) merece. Merecia mesmo que todos os angolanos simples ou até os menos dados à simplicidade como já vão sendo muitos, fizessem um pequeno sacrifício. 
Um pequeno sacrifício que postos numa escala de acontecimentos em cadeia (em virtude da agregação de outros pequenos sacrifícios que ao mesmo tempo fossem decorrendo) pudessem resultar em tremendos fenómenos sociais, afectando a totalidade do território. 
Não estou a falar de grandes sacrifícios, como por exemplo, acabarem com a corrupção ou com a pobreza extrema, mas sim de pequeníssimos sacrifícios, como o que, por exemplo, faço hoje: encerrar o meu blogue.
Portanto, nesta ordem de ideia, podia se calhar o sr. Juka devolver a AKM que tem em casa desde 92, às autoridades; ou o kota Malamba pagar à tia Fifinha todos os kilapis de cervejas que foi consumindo ao longo dos últimos três meses; ou ainda a EDEL (Empresa de Distribuição de Energia de Luanda) deixar de fazer melhorias e passar a dar a energia efectiva; ou ainda a Direcção Nacional das Alfandegas baixar as duras taxas que pesam sobre a importação de livros didácticos; ou ainda o Chico Bombão deixar de bater na mulher só porque ela exaspera alto quando o apanha nas malhas da infidelidade...
Portanto, nesta ordem de ideia, talvez até resultasse, em virtude da concessão destes pequenos sacrifícios, termos um dia da Dipanda realmente memorável. Mas... não sei se pelas bandas de Angola haverá pessoas minimamente interessadas nestas veleidades sacrificiais. 
Contudo, faço eu a minha parte: encerro hoje o dia com o compromisso de recordar em todas as Dipandas, menos ou mais memoráveis, o fim do meu blogue.

Um especial agradecimento a todos aqueles que chegaram a visitar este espaço. 

A Risível Crise Financeira

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Àquela mulher...

Não desapareci, não me afastei. Ainda cá estou. Percorrendo os teus labirintos.  A estrutura com que argamassas dados adquiridos. Venho como que para a última viagem – e não tenho forças para acreditar que não seja.  As batalhas feitas de utopias são coisas de outras vidas. Vencido, trago as armas para as depositar aos teus pés, venho prestar-te vassalagem.  

Sei que não morri as vezes suficiente para acreditares em mim. Sei que trago muito de impuro das vidas que ainda habito. Porém, estou a aprender a morrer. Quero tocar-te com a leveza pura da morte. Com a pureza que não causa dor.  A dor do toque abstracto.

Estou a aprender a morrer com as mortes indubitáveis. Mesmo quando és assaltada por ódios de memorias distantes. Mesmo quando te retrais e voltas a envergar a gélida armadura. Ainda que já não façam sentido vou continuar a imprimir-lhes contornos especiais e efeitos inéditos.  Porque, por ti, sempre quererei mortes com contornos inusitados.

Isso porque te quero eternamente mortal. 

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

À Joana, um devido prometido

Respondo ao desafio colocado pela Joana. Porque não escrever sobre ti? Reconheço que no princípio pensei que seria fácil. Pensei que fosse simples. Pensei que podia, baseando-me nas poucas conversas que tivemos, traçar-te o perfil, dissertar sobre os teus devaneios, interpelar as tuas dúvidas... Como se pudesses caber num qualquer departamento de lugares-comuns, como se fosse fácil sopesar-te, inventaria-te ou catalogar-te.

O estar diante deste desafio demonstra em grande medida que será sempre pouco a medida em que se decide escrever sobre ti. Reconheço em mim o problemas.  Trabalho com escalas que não se adaptam ao formato do texto em causa.

Por menos que queira, o formato do texto sobre ti sai-me infectado pela estrutura telegráfica do teu blogue. Pensar em ti é me aprisionar nesta tua estrutura sumariada de resolveres problemas complicados. É pensar em tudo sem passar dos títulos, epígrafes ou epitáfios. Pensar em ti é como decretar sentenças sem verbos.  É deduzir do teu andar emoções com substância ou supor, pela cor da roupa que vestes, que a tua amizade ainda é um lugar que se pode visitar.